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 Assunto do Tópico: (Ensaio) O Santo Graal nas lendas Arthurianas
MensagemEnviado: Qui Nov 05, 2009 5:29 am 
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Merlin
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Data de registro: Qui Out 14, 2004 1:09 am
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O Santo Graal teria sido, de acordo com a lenda, o Cálice Sagrado usado por Cristo na “Última Ceia”, recolhido por José de Arimatéia com o sangue que jorrou de Cristo quando ele recebeu o golpe de misericórdia, dado pelo soldado romano Longinus, usando uma lança, depois da crucificação. Os romances de Chrétien de Troyes já haviam tornado a lenda do cálice popular na Europa dos séculos XII e XIII, através do livro "Le Conte du Graal", circa 1190, e que narrava a busca de Perceval pelo cálice.

Na literatura medieval de Malory, a procura do Graal é introduzida diretamente na história do Grande Rei, e representa a busca do cavaleiro pela perfeição. Um complexo conjunto de histórias relacionadas com o reinado de Artur na Inglaterra, e da busca que os cavaleiros da Távola Redonda fizeram para obtê-lo e devolver a paz ao reino nasce de duas estórias escritas por Troyes separadamente. Perceval também é incorporado as lendas Arthurianas a partir desse ponto.

Na lenda do Graal, misturam-se elementos cristãos e pagãos relacionados com a cultura Celta. É possível, por exemplo, estabelecer uma ponte entre as propriedades mágicas do Graal, recipiente do sangue de cristo e os antigos caldeirões dos druidas. Contos irlandeses descrevem Dagda (associável a Dis Pater) como um deus paternal e um dos mais importantes do panteão celta, do qual outros deuses masculinos seriam variantes. Dagda era dotado de uma força descomunal, estava sempre armado com clava e era associado a um caldeirão, o 'Caldeirão de Sangue', que continha diversas propriedades mágicas. Torna-se quase inevitável ver uma possível origem para a lenda do Graal nas lendas dos caldeirões druídicos, e particularmente no Caldeirão de Sangue do deus Dagda.

Histórias sobre caldeirões são comuns no folclore celta, e sua busca conduzia guerreiros a lugares sombrios e perigosos. Cuchulainn, o grande herói irlandês, e muito freqüentemente associado ao rei Arthur, teria roubado um caldeirão mágico de uma fortaleza poderosa. Cuchullainn, filho do deus Lugh com uma mortal, está presente no Ciclo de Ulster dos Cavaleiros do Ramo Vermelho, e diz-se que é uma das fontes de inspiração para o mito do Rei Arthur.

Bernard Cornwell, autor de uma releitura contemporânea da lenda, afirma que é possível afirmar com alguma certeza que "as populares narrativas medievais sobre a busca do Santo Graal eram apenas uma revisão cristianizada dos antigos mitos do caldeirão.” (CORNWELL, 2006, p. 512)

Outros elementos fantasiosos que nortearam Toryes e Goeffrey, das narrativas folclóricas galesas, também tornam-se mais vívidos a partir desse momento. Monstros que propõe enigmas, magos poderosos e espadas encantadas são uma alusão direta as mitologias céltica, nórdica e escandinava, ou talvez simplesmente elementos chave cosmogônicos que constantemente se repetem em diversas mitologias. Estes elementos passam a dividir, em importância, o espaço com o cristianismo, e a veracidade histórica, se é que um dia houve, gradualmente dá lugar a uma das mais famosas obras de literatura fantástica já criadas.

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